Por que temos tanta pressa para deixar de sentir?

Na contemporaneidade, o celular tornou-se uma extensão do corpo para muitas pessoas, sendo difícil imaginar a rotina sem ele. Em uma fila de supermercado, por exemplo, é comum recorrer ao aparelho para preencher poucos minutos de espera, como se o tédio precisasse ser imediatamente interrompido. Diante desse cenário, surge uma questão: estamos apenas buscando prazer ou estamos aprendendo a evitar qualquer experiência de desconforto?
Segundo Sigmund Freud, o psiquismo tende a buscar o prazer e evitar o desprazer. No entanto, essa busca encontra os limites impostos pela realidade, fazendo com que a satisfação nem sempre possa ser imediata. Mais de um século depois, essa formulação nos permite pensar sobre nosso cotidiano, em que diversas necessidades podem ser atendidas rapidamente como por exemplo a fome que encontra o delivery, o tédio que encontra vídeos curtos e a solidão que pode encontrar uma mensagem ou uma conversa virtual. Nesse contexto, podemos nos perguntar se estamos desenvolvendo o hábito de interromper rapidamente aquilo que nos causa incômodo, sem necessariamente compreender de onde ele vem.
A Psicanálise, por sua vez, nos convida a olhar para a angústia não apenas como algo a ser eliminado, mas como uma experiência que pode ser escutada e elaborada. Com isso, ao buscarmos interromper rapidamente aquilo que nos incomoda, podemos encontrar um alívio momentâneo, mas isso não significa que a causa desse desconforto tenha sido compreendida. Assim em alguns momentos, aquilo que tentamos evitar pode voltar a aparecer, justamente porque não tivemos espaço para elaborá-lo.









