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Por que temos tanta pressa para deixar de sentir?

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Juliana Hayashibara Nozaki, estudante do 6º período do curso de Psicologia do UNIFEB, orientada pela profª camila Campos Vizzotto Alduino
Juliana Hayashibara Nozaki, estudante do 6º período do curso de Psicologia do UNIFEB, orientada pela profª camila Campos Vizzotto Alduino

Na contemporaneidade, o celular tornou-se uma extensão do corpo para muitas pessoas, sendo difícil imaginar a rotina sem ele. Em uma fila de supermercado, por exemplo, é comum recorrer ao aparelho para preencher poucos minutos de espera, como se o tédio precisasse ser imediatamente interrompido. Diante desse cenário, surge uma questão: estamos apenas buscando prazer ou estamos aprendendo a evitar qualquer experiência de desconforto? 

Segundo Sigmund Freud, o psiquismo tende a buscar o prazer e evitar o desprazer. No entanto, essa busca encontra os limites impostos pela realidade, fazendo com que a satisfação nem sempre possa ser imediata. Mais de um século depois, essa formulação nos permite pensar sobre nosso cotidiano, em que diversas necessidades podem ser atendidas rapidamente como por exemplo a fome que encontra o delivery, o tédio que encontra vídeos curtos e a solidão que pode encontrar uma mensagem ou uma conversa virtual. Nesse contexto, podemos nos perguntar se estamos desenvolvendo o hábito de interromper rapidamente aquilo que nos causa incômodo, sem necessariamente compreender de onde ele vem. 

A Psicanálise, por sua vez, nos convida a olhar para a angústia não apenas como algo a ser eliminado, mas como uma experiência que pode ser escutada e elaborada. Com isso, ao buscarmos interromper rapidamente aquilo que nos incomoda, podemos encontrar um alívio momentâneo, mas isso não significa que a causa desse desconforto tenha sido compreendida. Assim em alguns momentos, aquilo que tentamos evitar pode voltar a aparecer, justamente porque não tivemos espaço para elaborá-lo.

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