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Fantasmas que carregamos por dentro

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Mari Armani, psicóloga clínica, especialista em psicanálise.
Mari Armani, psicóloga clínica, especialista em psicanálise.

Há fantasmas que não habitam casas abandonadas, mas permanecem dentro de nós: nas lembranças dolorosas, nos medos e nas experiências que parecem superadas, mas continuam influenciando nossas escolhas.

Uma crítica no trabalho que desperta incapacidade, uma mensagem sem resposta que provoca medo de abandono ou uma discussão que reabre antigas feridas. Por que situações presentes despertam sentimentos tão intensos? Às vezes, não reagimos apenas ao que acontece agora, mas também ao que essa experiência mobiliza em nossa história.

Na perspectiva psicanalítica, conteúdos inconscientes podem se manifestar em sintomas, angústias e padrões repetitivos de relacionamento. Freud investigou como conflitos não elaborados retornam, muitas vezes, sem que reconheçamos sua origem. Assim, podemos repetir vínculos dolorosos ou buscar incessantemente aprovação, sem compreender o que sustenta essas atitudes.

Reconhecer esses movimentos exige observar as próprias reações sem julgamentos. Perguntar-se por que determinada situação provoca tanto sofrimento pode abrir caminhos para compreender sentimentos e construir novas formas de agir.

Quando essas repetições causam sofrimento persistente ou prejudicam relacionamentos e escolhas, a psicoterapia pode ajudar. Na escuta psicanalítica, a palavra permite investigar conflitos, elaborar experiências e ampliar a compreensão de si.

Não se trata de apagar o passado, mas de compreender seus efeitos. Afinal, nossa história faz parte de quem somos, mas não precisa determinar, silenciosamente, tudo o que ainda podemos viver.

Mari Armani, psicóloga clínica, especialista em psicanálise.

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