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Além do diagnóstico

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Ana Julia Oliveira Carlos Estudante do 6º período do curso de Psicologia do UNIFEB,  orientada pela profª camila Campos Vizzotto Alduino
Ana Julia Oliveira Carlos Estudante do 6º período do curso de Psicologia do UNIFEB, orientada pela profª camila Campos Vizzotto Alduino

O desenvolvimento infantil não se limita à aquisição das habilidades cognitivas, mas também envolve como a criança aprende a construir recursos para estabelecer vínculos e lidar com conflitos. Para Winnicott (2012), a agressividade participa desse processo e não pode ser interpretada apenas como algo a ser corrigido. Enquanto a criança desenvolve seus recursos para elaborar aquilo que vivencia, ela expressa conflitos e sentimentos por meio de brincadeiras com contato físico excessivo e provocações. Reconhecer que a agressividade pode fazer parte do desenvolvimento, entretanto, não significa naturalizar suas manifestações. Quando esses comportamentos se repetem, aquilo que deveria provocar uma dúvida e uma busca por compreensão pode passar a ser considerado simplesmente “coisa de criança”. Essa naturalização não se restringe à escola, mas está relacionada à maneira como a própria sociedade constrói e reproduz ideias sobre o que seria um comportamento infantil considerado normal. A escola, inserida nessa realidade social, pode reproduzir esse olhar sem ser diretamente a origem dele. Assim, essas manifestações podem ser tratadas como coisas de criança ou, quando esses comportamentos passam a causar um incômodo, são transformados em um problema individual. Nesse movimento, a criança corre o risco de ser definida apenas pelo comportamento que apresenta, enquanto as relações e as condições do ambiente deixam de ser questionadas. É nesse ponto que Winnicott (1983) destaca a importância do ambiente. Se a criança está desenvolvendo recursos para elaborar sua forma de expressão, o ambiente, nessa perspectiva, não deve apenas impedir ou punir essas manifestações, mas oferecer condições para que a criança possa expressá-las e, gradualmente, elaborá-las. Nesse contexto, o papel do psicólogo vai além da identificação de comportamento, envolvendo a escuta daquilo que a criança ainda não consegue elaborar e a compreensão das relações em que está inserida.


 

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